Observatório Social edição especial - A Floresta Que Virou Cinza

Uma pesquisa histórica publicada pelo Instituto Observatório Social em 2004 apresentou a existência de trabalho escravo na cadeia produtiva do aço. Grandes siderúrgicas instaladas no pólo de Carajás, no Pará foram identificadas como financiadoras de carvoarias que usavam trabalhadores escravos na produção de carvão, produto fundamental para a produção do ferro-gusa e do aço, na época as siderúrgicas negavam o problema e se recusavam a rever seus processos produtivos. O impacto da pesquisa junto à opinião pública, contudo, gerou forte pressão dentro e fora do país, inclusive entre os clientes dessas empresas na Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, após a divulgação das informações, a pressão do movimento sindical e da sociedade civil organizada levou as empresas a reconhecerem o problema e assinarem um inédito Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que contribuiu de forma decisiva para a diminuição do problema, na medida em que centenas de empresas se comprometeram perante a sociedade a realizar ações em sua cadeia produtiva.

Sete anos depois, o Observatório Social volta a falar de cadeia produtiva do aço, as reportagens desta revista mostram que, na mesma região, as siderúrgicas continuam com problemas na cadeia produtiva. Elas agora se beneficiam de processos predatórios para garantir o suprimento de carvão vegetal, produzido com madeira retirada de áreas de preservação ambiental.

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Data e Hora: 
02/01/2010 16:00 2010
Tipo de publicação: