Apple, Microsoft, Samsung, Sony, Daimler e Volkswagen são coniventes com trabalho infantil, acusa Anistia Internacional

Crianças de até sete anos trabalham em minas de cobalto na República Democrática do Congo

Grandes marcas de eletrônicos e de carros, como Apple, Microsoft, Samsung, Sony, Daimler e Volkswagen, estão sendo coniventes com o trabalho infantil na África, denunciam a Anistia Internacional e a ONG Afrewatch em relatório divulgado nesta terça-feira, 19. O relatório This is what we die for: Human rights abuses in Democratic Republic of the Congo Power the global trade in cobalt traça o perfil de trabalhadores em minas e a cadeia de venda do cobalto, usado em baterias de íons-lítio. Além de adultos trabalhando em situação degradante, a denúncia inclui crianças de até sete anos sendo exploradas.

A investigação usou documentos de investidores para mostrar como a gigante chinesa da mineração Huayou Cobalt e a subsidiária Congo Dongfang Mining (CDM) processam o cobalto antes de vendê-lo para três manufaturas na China e na Coreia do Sul. No elo seguinte da cadeia, estão fabricantes de baterias que fornecem para empresas de carros e de tecnologia, incluindo Apple, Microsoft, Samsung, Sony, Daimler e Volkswagen.

“Milhões de pessoas aproveitam os benefícios de novas tecnologias, mas raramente perguntam como elas foram feitas. Já é hora de grandes marcas assumirem responsabilidade pela extração de matérias-primas que fazem seus lucrativos produtos”, afirma Mark Dummett, pesquisador nas áreas de negócios e direitos humanos da Anistia Internacional.

Trabalho infantil e degradante

A República Democrática do Congo é responsável pela produção de pelo menos 50% do cobalto utilizado em todo o mundo. De toda a produção do país, mais de 40% é comprada pela CDM. 

Segundo o relatório, as áreas de mineração oferecem risco à saúde em longo prazo, além de altos riscos de acidentes fatais. Os pesquisadores apontam que a maioria dos mineiros passa horas do dia sem equipamentos básicos de proteção individual, como luvas e máscaras. Ao menos 80 trabalhadores morreram em minas na República Democrática do Congo entre setembro de 2014 e dezembro de 2015.

A equipe também entrevistou crianças que trabalhavam nas minas. Elas contaram que trabalham até 12 horas carregando fardos pesados e que ganham de US$ 1 a US$ 2 por dia. A Unicef estima que, em 2014, cerca de 40 mil crianças trabalhavam em minas na RDC.

“Os perigos para a saúde e a segurança fazem da mineração uma das piores formas de trabalho infantil. As companhias, que têm lucros de US$ 125 bilhões, não podem alegar que são incapazes de verificar de onde vem a matéria-prima que usam”, completa Drummett.

Crédito da Foto: 
Amnesty International and Afrewatch
Data e hora: 
19/01/2016 12:15 2016