Aspectos da indústria brasileira é tema do segundo dia de formação sindical

Na manhã desta quinta-feira, 15, André Cardoso, economista da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) da CNM/CUT,  falou sobre a formação da indústria brasileira e os efeitos da crise política no Brasil para o setor. Cardoso foi um dos palestrantes do segundo dia do curso de formação sindical do Projeto Ação Frente às Multinacionais na América Latina que termina nesta sexta-feira, 16. Participam do curso  trabalhadores e dirigentes da Argentina, Brasil e México.

Durante o debate, o pesquisador apresentou aspectos históricos da área industrial e suas relações com o mundo do trabalho como a criação da Lei Sindical em 1931, o processo de industrialização brasileira na era Vargas (1930-1945) e a trajetória da implantação do neoliberalismo no Brasil. “Mesmo com todas as políticas de incentivo colocadas em prática nos anos 2000, a indústria brasileira ainda sofre com as políticas neoliberais da década de 90”, destacou. 

Apesar disso, muitos avanços ocorreram durante os governos de Lula e Dilma Rousseff. “Com a vitória de Lula em 2000, houve uma retomada das políticas industriais”, afirmou Cardoso. A implantação de uma agenda de desenvolvimento, o lançamento da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), em 2005, e do Plano Brasil Maior, de 2011, foram citados como exemplos. Essas políticas propiciaram uma série de benefícios para o setor com destaques para a desoneração tributária, o financiamento para promover a inovação tecnológica e o fortalecimento de pequenas empresas.  

Entre os grandes impactos da crise atual na indústria brasleira, o pesquisador destacou a alta dos juros, a queda de investimentos, a recessão e a baixa de empregos formais. Mas dentro deste contexto, Cardoso chamou a atenção para o fato de que diversos estudos já apontam que a queda dos investimentos no país tem um viés político. “O empresariado parou de investir por conta de um rompimento de aliança política com o governo. Quando o governo Dilma começou a baixar as taxas de juros, essa medida desagradou, entre outros, aos bancos”, observou.  
 

Data e hora: 
15/09/2016 17:00 2016
Data: 
15/09/2016 2016