Estudo Regional sobre Trabalho Decente é apresentado em Seminário em SP

Estudos permitem verificar as condições de trabalho decente nos sete países da America Latina

A apresentação dos resultados deste trabalho foi apresentada na tarde de ontem (14/04) aos participantes do seminário "Os Desafios da Ação Frente às Multinacionais na Atual Conjuntura" em São Paulo. O público do evento era exatamente um dos perfis a qual a pesquisa foi direcionada, o sindical, tendo como pauta conjunta a discussão das forças políticas neoliberais que sustentam um conjunto de idéias que impactam na classe trabalhadora e aprofundam os déficits de trabalho decente.

De acordo com Lilian Arruda, coordenadora de Pesquisa do Instituto Observatório Social, organização que também é secretaria operativa da RedLat, o objetivo do estudo é dotar o movimento sindical de ferramentas que permitam verificar as condições de trabalho decente nos sete países da rede: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru, México, Uruguai, para que possam promover o trabalho decente,construir suas ações e enfrentar as adversidades. "Por ser um material complexo e bastante detalhado, a pesquisa foi segmentada em uma publicação com análise regional e outras sete publicações nacionais, com índices mais detalhados de cada um dos países pesquisados.

Ela apresentou aos participantes temas importantes pesquisados como contexto socioeconômico, oportunidade e emprego, remuneração, seguridade social, negociação coletiva e liberdade sindical e terceirização. Segundo a pesquisadora, vale destacar dois índices importantes, o desemprego entre jovens e a diferença de remuneração entre homens e mulheres.

Para se entender a questão remuneração nos diferentes países e se permitir uma comparação a pesquisa baseou-se no salário mínimo nacional (de cada país) e fez sua conversão a dólares correntes. O maior salário mínimo foi registrado na Argentina, com 476,00 dólares; o segundo no Uruguai, com 373,00 dólares; atrás do qual vem o Chile, com 346,00; depois Colômbia e Brasil, com 307,90 e 306,80 dólares por mês, respectivamente; o Peru é o que segue, com 268,00 dólares; e o pior país é o México, com 152,00 dólares.

Na dimensão das remunerações, a RedLat enfatiza que os salários são uma das melhores vias para reverter as desigualdades. Na diferença salarial entre homens e mulheres, a diferença é muito ampla a favor dos homens. O pior país é o Peru, onde os homens ganham em média 44% a mais do que as mulheres e o Uruguai é o país que exibe a melhor situação salarial sendo a diferença de 5,9%. O Brasil ficaria numa escala intermediária: 25,5% dos homens ganham mais que as mulheres.

Outro índice importante é o desemprego entre os jovens, que constituem claramente o coletivo com maiores dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. Apesar de o desemprego juvenil ter reduzido em todos os países entre 2005 e 2014, ele se encontra muito alto no Uruguai (20,4%), Argentina (18,8%) e Brasil (10,5%). No México e Peru, embora esteja menor, supera de maneira importante a taxa de desemprego global.

Para quem quiser acompanhar todos os dados o estudo Regional ”TRABALHO DECENTE NA AMÉRICA LATINA" realizado pela Rede Latino-Americana de Pesquisas em Empresas Multinacionais (RedLat), basta acessar o site http://www.redlat.net/site/home_pt/

Crédito da Foto: 
Sheila Fernandes/IOS
Data e hora: 
15/04/2016 15:15 2016