Evento de 20 anos do IOS debate trabalho escravo e direitos humanos

Siderlei de Oliveira, presidente do IOS na abertura do seminário

 

Comunicação IOS

Dirigentes sindicais, pesquisadores, representantes de movimentos sociais, estudantes e demais interessados estiveram reunidos no último dia 29 de junho na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) para participar do Seminário Pesquisa e Ação Sindical - 20 anos de Instituto Observatório Social. O evento foi organizado em parceria com a Fundação Friedrich Ebert - Brasil (Fes) e teve o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs), Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT),  Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (Contac-CUT) e Unisoli.

Na abertura do seminário, o presidente do IOS e da Contac, Siderlei de Oliveira,  agradeceu a presença dos parceiros e funcionários da instituição, e enfatizou a importância do IOS para o mundo sindical. "O instituto tem buscado trabalhar dentro de um quadro político adverso, todas as instituições que trabalham com o tema dos direitos humanos e dos trabalhadores estão enfrentando dificuldades. É importante reforçar também que o IOS celebra não só 20 anos de existência, mas também de trabalho e pesquisa a serviço dos trabalhadores", afirmou Oliveira.

A pesquisadora Cecília Carmem Pontes, do Centro de Estudos e Cultura Contemporânea (Cedec),  ressaltou a importância do trabalho do IOS na atual conjuntura de retrocessos de direitos. “O Brasil está em um momento crítico no qual conquistas importantes estão sendo questionadas. O IOS deve exercer um papel de acompanhamento e reflexão sobre as mudanças propostas pelo governo e que terão impactos catastróficos”, salientou.  

O  secretário sindical do PT de São Paulo,  Paulo Sérgio Ribeiro, lamentou que a atividade de comemoração do histórico da instituição tenha acontecido um dia depois da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovar por 16 votos a favor e 9 contrários, a proposta de reforma trabalhista.  “Porém, é muito bom estar aqui para discutir direitos sociais após o congresso exterminar sob o comando da bancada patronal os direitos dos trabalhadores” , ressaltou.

Victor Pagani, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), também comentou a importância do trabalho do instituto em relação à crise que o Brasil atravessa: “O IOS não faz apenas pesquisa, produz conhecimento para impulsionar o movimento sindical e contribuir para suas ações. É importante nesse momento em que a reforma trabalhista pode ser aprovada, que tenhamos institutos como esse para fazer a disputa na sociedade e denunciar a precarização do trabalho”.

Já a representante da (FES), Valdeli Mellerio, destacou os diferenciais do trabalho de pesquisa do IOS que contribuíram ao longo dos anos para defender os interesses da sociedade: “A Fundação Friedrich Ebert acompanhou a trajetória do IOS, foram muitos seminários,  intercâmbios, publicações e pesquisas realizadas com metodologias de pesquisas próprias, critérios e indicadores que deram mais credibilidade ao trabalho da instituição”.

“Foram 20 anos de pesquisa, debates e construção coletiva ajudando a nossa central, confederações e outras entidades que têm enfrentado toda essa  violência contra a classe trabalhadora que acontece no Brasil e no mundo”, enfatizou  Maria Aparecida Faria, secretária-adjunta da CUT Nacional. A dirigente também frisou a qualidade do trabalho conquistada pelo instituto. “O Observatório tem credibilidade e isso não é pouco nesse momento atual, já que é uma instituição que pode produzir  pesquisas e material que nos ajude a dar consistência nas nossas resoluções e enfrentamentos”, completou Maria Aparecida.

Debates

Dirigentes sindicais, pesquisadores e representantes de movimentos sociais estiveram entre os participantes do seminário

O seminário contou com duas mesas de debate. A primeira,  “A Agenda do Trabalho Decente, a Lista Suja do Trabalho Escravo e os Direitos Humanos”, com a participação das palestrantes Jandyra Uehara, Secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT Nacional, e Mércia Silva, Diretora Executiva do InPACTO (Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo), e moderação de Pedro Henrique Isaac, da Unitrabalho.

A segunda foi “A Classe Trabalhadora na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” com os palestrantes Odilon Faccio, do Movimento Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Denis Maracci Gimenez, diretor-adjunto do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT/IE/Unicamp), Daniel Angelim, assessor da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), e moderação de Lucilene Binsfeld (Tudi), Secretária Geral do IOS.

A Diretora Executiva do InPACTO,  Mércia Silva, destacou a forte atuação do Observatório na questão do trabalho escravo e dos direitos humanos. “Não podemos deixar de dizer que o IOS surgiu para trazer novas temáticas para a agenda sindical”, afirmou Mércia. A diretora do InPacto também citou a importância da militância de ambas as instituições pela construção dos pactos contra o trabalho escravo e de redes sindicais dentro das empresas. “Os sindicatos tinham muita dificuldade de negociar questão de gênero, de raça, trabalho infantil, meio ambiente, porque já era difícil dialogar e realizar outros temas do mundo sindical como a negociação coletiva. Então, o IOS teve esse papel de fazer capacitação, sentar com os dirigentes para tratar de questões inovadoras e enriquecer os debates”, pontuou Mércia.  

Cida Trajano, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Vestuário da CUT (CNTRV), participante do seminário, comentou sobre a vulnerabilidade dos trabalhadores do setor têxtil no contexto do trabalho escravo. “Somos quatro setores com cerca de 2,5 milhões de trabalhadores com um percentual de apenas 47% com registro em carteira, e a maioria são mulheres”, informou. Cida reforçou que na perspectiva de retrocessos de direitos na qual o Brasil se encontra, o empresariado é o setor que mais se beneficiará com as reformas que precarizam os direitos aumentando a exposição dos trabalhadores ao trabalho escravo. “Em razão dessas dificuldades que passamos em nosso setor, é muito importante parcerias com instituições como o Observatório que nos traz conhecimentos e dados para que possamos planejar ações estratégicas”, disse Cida.

A Secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT Nacional,  Jandyra Uehara, que também palestrou nessa mesa apontou que o enfrentamento ao trabalho escravo passa pela questão de luta de classe: “Não basta uma lei para abolir os resquícios da escravidão, por isso, a dificludade em combatê-lo e a resistência dos empresários em discutir as questões básicas de condições de trabalho”. A dirigente também lembrou o aumento da violência no campo e contra as minorias, e da importância do mundo sindical se aproximar das pautas sociais. “É importante que o movimento sindical batalhe, por exemplo, pela organização dos trabalhadores rurais, que estão distantes dos movimentos sindicais. Esse processo contínuo de violação de direitos no qual vivemos na atual conjuntura atinge também diretamente outros trabalhadores mais vulneráveis como indígenas e a população LGBT”, afirmou.

Lucilene Binsfeld (Tudi), Secretária Geral do IOS, defendeu a importância das políticas públicas no combate ao trabalho escravo e pela globalização de direitos. “O combate ao trabalho escravo passa também por políticas públicas de qualidade que garantam direitos básicos à população. Agora ainda teremos de enfrentar a PEC dos gastos (PEC 55/2016), como vamos garantir esses direitos sem investimentos?”, questionou Tudi.  

Dentro do debate da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável participaram como palestrantes Odilon Faccio, do Movimento Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Denis Maracci Gimenez, diretor-adjunto do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT/IE/Unicamp), e Daniel Angelim, assessor da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA).  

Para assistir os debates na íntegra, acompanhe os vídeos que foram transmitidos ao vivo na nossa página do Facebook .

Da esquerda para a direita, Daniel Angelim, Denis Maracci Gimenez, Lucilene Binsfeld e Odilon Faccio

 

Crédito da Foto: 
Arquivo IOS
Data e hora: 
03/07/2017 16:45 2017
Data: 
03/07/2017 2017