IOS debate controle das transnacionais, direitos humanos e ação sindical

Da esquerda para a direita, João Felício, a secretária de formação dos bancários, Erica Oliveira, o presidente do IOS, Siderlei de Oliveira, a vice-representante da FES, Katharina Hofmann e João Cayres

Comunicação IOS

O Instituto Observatório Social (IOS) realizou na quinta-feira,  24,  no Sindicato dos Bancários, na capital paulista,  o seminário "Pesquisa e Ação Sindical - Cadeias Globais, Tratado Vinculante e Ação Sindical”. O evento, organizado em parceria com a Fundação Friedrich Ebert - Brasil (FES),  teve entre seus objetivos discutir as estratégias de resistência ao poder das empresas transnacionais e suas sistemáticas violações aos direitos humanos e trabalhistas.

O debate reuniu dirigentes sindicais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de confederações internacionais e representantes de  organizações sociais como Núcleo Amigos da Terra Brasil, Rede Brasileira Pela Integração dos Povos (Rebrip), além de pesquisadores e do ministro do exterior e conselheiro na Missão Permanente do Equador em Genebra, Luís Espinosa Salas.

Outro assunto aprofundado foi o Tratado Vinculante, que está sendo discutido no âmbito das negociações da Organização das Nações Unidas (ONU) juntamente com movimentos e organizações sociais de todo o mundo. A proposta do tratado é ser um instrumento jurídico  que obrigue empresas transnacionais a respeitarem normas e direitos humanos em qualquer país onde atuam.  Porém, o debate sobre a criação de um código de conduta para as corporações transnacionais já se arrasta desde 1970. De lá para cá,  a força das corporações nas esferas política, jurídica e econômica só aumentou,  impulsionada  pelo enfraquecimento do papel Estado cada vez mais ajustado às necessidades e interesses empresariais. 

Tratados, cadeias globais e poder sem limites

O assunto é fundamental para agenda de luta do movimento sindical que tem entre as suas tarefas trabalhar para que os interesses das multinacionais não se sobreponham aos interesses públicos. “As empresas não pagam impostos pelo ganham em cada país e junto com o setor financeiro controlam o mundo todo ”, lembrou  Jocelio Drummond, Secretário Regional das Américas da Internacional de Serviços Públicos (ISP) e integrante da Rebrip.  Para ele, é preciso ficar atento às estratégias que as empresas usam para desviarem de punições e responsabilidades, além de utilizarem tratados de livre comércio e acordos  internacionais para tirar do Estado o poder de decisão e passá-lo às empresas. É por meio desses tratados que as transnacionais têm acesso aos mercados mundiais e recursos em várias partes do mundo. “Se não pensarmos essas questões de forma global, faremos uma luta parcial. Temos de compreender os interesses políticos e comerciais das empresas”, avaliou Drummond.

“Nosso desafio é realizar ações de abrangência, que atinjam o conjunto das cadeias globais, e para isso precisamos fundir sindicatos e aumentar a representação, a fim de ampliar a nossa força”, afirmou João Felicio, presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI). O dirigente defendeu a construção de alternativas coletivas para a superação do atual modelo excludente de produção. “Diante das cadeias globais de produção e consumo, de acordos por empresa, nossa luta é cada vez mais pela globalização de direitos”, disse.

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT e integrante da direção executiva do IOS, Antonio Lisboa, o centro desse debate é o capitalismo e a luta contra um modo de produção e de consumo que concentra renda e aprofunda a desigualdade. “Temos uma imensa massa despolitizada que precisa ter acesso à informação, que precisa estar unida e mobilizada para que tenha acesso a melhores condições de vida, para ir além de empregos de segunda categoria”, apontou Lisboa.

“Esse é um debate político, ideológico e econômico. Pois implica uma série de fatores sobre como o capital assume a produção e as consequências disso para o trabalhador”, enfatizou  Isamar Escalona, coordenadora do Programa de Economia Informal da Confederação Sindical das Américas (CSA).  Isamar destacou também que a grande maioria das multinacionais contrata trabalhadores por meio de cadeias globais: “Cerca de 80% do comércio global e 60% da produção mundial é feita através das cadeias globais, esse é o modelo que o capital está utilizando para produzir. O desafio é muito grande, pois 50 empresas no mundo possuem juntas a riqueza equivalente a 100 países”.  

Organização sindical

“Acredito que precisamos começar a repensar ações que vínhamos fazendo, além de fortalecer ainda mais o papel das redes sindicais que têm de funcionar na prática”, afirmou o presidente Instituto Observatório Social e da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas  Indústrias da Alimentação (Contac-CUT), Siderlei de Oliveira.

O diretor regional  da Uni Américas Global Union, André Rodrigues, também apostou na união do movimento sindical como estratégia de luta: “O Brasil e a Argentina estão em vantagem com relação a outros países, pois têm sindicatos, organizações  sociais fortes e com capacidade de mobilização,diferente do México, por exemplo.  Portanto temos condições de fazer esse enfrentamento”. Na avaliação de  Rodrigues, a fusão entre sindicatos e confederações seria promissora na atual conjuntura da reforma trabalhista: “Se isso não for discutido seriamente, pode ser um fator limitador do ponto de vista da resistência”, ponderou.  

“Acredito que um processo de fusão é uma das alternativas mais sábias diante da situação atual”,  reforçou a presidenta da Confederação Nacional do Ramos Químico e representante da IdustriALL Global Union, Lucineide Varjão Soares . A dirigente falou do recente início do processo de unificação entre  os ramos químico e vestuário filiados à CUT, enfatizando que trata-se de uma tendência mundial e citou ainda a própria formação da IdustriALL que é a fusão de três setores: químicos, metalúrgicos e têxtil.

Para assistir o evento completo, acesse o vídeo no Youtube.

Da esquerda para a direita, Lucineide Varjão, Antonio Lisboa, a secretária-geral do IOS, Lucilene Binsfeld, André Rodrigues e Isamar Escalona

 

Ministro do exterior no Equador, Luís Espinosa Salas.

  

 

20 anos do IOS

Essa foi a segunda atividade de uma série de quatro seminários programados para 2017 em celebração aos 20 anos de IOS. O primeiro seminário foi realizado na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no último dia 29 de junho, e debateu, entre outros temas, direitos humanos e trabalho escravo.

O seminário Pesquisa e Ação Sindical conta com o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs), Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT),  Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (Contac-CUT) e Unisoli.  

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Crédito da Foto: 
Arquivo IOS
Data e hora: 
25/08/2017 15:45 2017
Data: 
25/08/2017 2017