Pesquisador do IOS faz análise da Conjuntura Nacional em oficina da Conticom

Hélio é coordenador de RSE do IOS e especialista em Sociologia do Trabalho

Hélio iniciou a discussão chamando a atenção para a operação em curso na atual conjuntura para adequar as reformas institucionais (trabalhista, previdência, fiscal) à agenda neoliberal, coisa que não foi possível de consumar de forma completa até a emergência da crise política em 2013/2014. "No governo FHC foram adotadas uma série de medidas neoliberais, mas não tiveram força política para desmontar de forma plena as conquistas constantes da Constituição de 1988", relatou o pesquisador. "Na atual conjuntura, está em jogo o desmonte de direitos trabalhistas e de proteção social por parte do governo interino de Michel Temer'.

Hélio fez uma análise dos últimos anos onde, segundo ele, o Brasil conseguiu produzir uma força política renovadora com energia mobilizadora de grande envergadura que cresceu ao longo do tempo e se tornou uma força alternativa à estrutura tradicional de poder político vigente com a criação do PT, da CUT, da legalização dos novos partidos de esquerda e fortalecimento dos movimentos sociais.

Bem diferente da década de 1970, onde as mobilizações sociais contra a Ditadura Civil-Militar mudaram a história política do país ao imprimir um novo rumo para a redemocratização, que segundo queriam os militares deveria ser “lenta, gradual e segura“. "Ao lutar por democracia, direitos e cidadania, esses movimentos a qualificam como algo mais além de votar, ou seja, democracia com participação popular", explicou. "Essa mobilização conquistou avanços significativos na Constituição de 1988 trazendo cidadania e inclusão social e procurando universalizar direitos (a criação do SUS por exemplo)" .

 

O governo Lula

O PT, segundo o Hélio da Costa, foi o partido que mais avançou na valorização da constituição de 1988. Porém apesar de avanços importantes no campo social, a inclusão foi feita através da renda e não dos direitos. A inclusão por direitos aponta para a saída, o que é fundamental para contrapor a trajetória de mobilidade social individual. "O correto seria aprofundar a lógica do estado de bem-estar social que estavam presentes da Constituição de 1988", completou o pesquisador.

Hélio falou ainda, que a população que foi beneficiada nos governos Lula e Dilma tende a pensar que melhorou de vida pelo mérito próprio e não por iniciativa do poder público. "Elas não se identificam com as políticas sociais que melhoraram as suas condições de vida", destacou. De acordo com o pesquisador, seria importante a experiência petista ter construído um modo diferente de governar insistindo na valorização da cidadania e não exaltando o fato de que todo mundo estava virando classe média, essa retórica cai por terra com a crise econômica e mais ainda com o desemprego.

Um dos problemas da economia no governo Lula, ponderou Hélio, foi a grande dependência em relação à exportação de produtos primários. "Não é possível instituir um estado de bem estar social sem uma economia dinâmica e consistente dependente apenas de produtos primários", explicou. "Nossa estrutura produtiva vem se deteriorando desde os anos 1980 e hoje atinge níveis muito baixos (cerca de 7% do PIB)"

Ele relatou que em 2013 e 2014 o modelo adotado por Lula e Dilma se deparou com a crise. "A partir do momento em que o modelo não consegue mais incluir a classe trabalhadora via mercado, ele começa sofrer desgaste. Esse processo foi se agravando e fomos perdendo força na sociedade", disse. "Apesar dos seus erros e da campanha da grande mídia para desmoralizá-lo, o petismo ainda tem uma força muito grande nos movimentos sociais, porém, é necessário pensar além da eleição".

Crédito da Foto: 
Conticom
Data e hora: 
20/07/2016 16:45 2016