Relatório mapeia condições de recursos hídricos em todo o país

Especialista em Recursos Hídricos Angêlo Lima

Avaliar a qualidade da água oferecida à população, a demanda e a quantidade de água que chegam às zonas rurais e urbanas, estudar os conflitos causados pelo uso da água e monitorar a situação de rios e nascentes. Essas são algumas das responsabilidades do Observatório Governanças das Águas, criado pela WWF-Brasil, e que, em março, lança relatório e plataforma com os dados coletados em todos os estados do Brasil.

Em entrevista ao Instituto Observatório Social, o especialista em Recursos Hídricos  Angelo Lima fala sobre os objetivos, desafios e expectativas deste projeto.

Qual é o objetivo do mapeamento?

O grande objetivo desse primeiro mapeamento é ter um resultado da gestão das águas no Brasil. Saber como estão os comitês de bacia se eles têm recursos, se eles fizeram seus planos de bacia e se executaram esses planos. É para ver mesmo como está essa governança de cada um dos órgãos gestores e dos comitês de bacias. Estamos muito confiantes com os resultados que virão. Recebemos muitas respostas positivas. Seis estados já responderam com a coleta de dados, então estamos em um caminho bem positivo.

Com esse relatório, também buscaremos esclarecer a questão da representatividade: como está cada comitê, se está bem representado, se a sociedade civil consegue participar das decisões de forma igualitária e se ela recebe informações que possam ajudar na tomada de decisões no comitê de bacias.

Outras entidades já publicaram dados sobre a gestão das águas. Qual o diferencial desse relatório?

A diferença não é só a coleta de dados. Alguns dados a gente já pode obter, por exemplo, na Agência Nacional de Águas (ANA). O primeiro grande serviço do Observatório é ter esses dados em um só lugar, ou seja, a gente vai ter um único site onde as pessoas vão poder acessar esses dados para que elas também possam fazer suas próprias análises. Hoje tem muitos acadêmicos fazendo estudo sobre como está e como é realmente cada comitê de bacia, mas você não tem algo social onde todos possam ler sobre iss, como será o portal.

Qual é o principal desafios existente hoje para o avanço do monitoramento de forma integrada?

A maioria dos comitês está na região costeira, para dentro do Brasil. Agora que começamos a melhorar na região Centro-Oeste, mas na região Norte, por exemplo, hoje temos somente sete comitês de bacia. Esse é um paradigma que precisa avançar na questão das águas.

A necessidade da gestão avançada também é o grande consenso de todos que estão no Observatório Governança das Águas. Precisamos ter esse fortalecimento da gestão dos recursos hídricos. Nós acreditamos nessa gestão participativa e centralizada, com a participação de todos os três segmentos - poder público, sociedade civil e poder privado.

Crédito da Foto: 
Divulgação
Data e hora: 
28/01/2016 16:45 2016