Para
CUT, III Intercâmbio qualifica a relação sindicato-empresa
Dirigentes
sindicais alemães, holandeses e brasileiros avaliam como positivos
os resultados do III Intercâmbio Sindical, evento que aconteceu entre
dias 6 e 12 de março. Participaram cerca de 100 pessoas, entre sindicalistas
dos três países, representantes de empresas, pesquisadores
e tradutores. As atividades envolveram seminários, reuniões
com sindicatos e empresas, além de visitas às fábricas
de seis corporações alemãs e holandesas no Brasil.
Para o primeiro tesoureiro da CUT, Ari do Nascimento, esta parceria é
muito proveitosa e vai ser ampliada. Esperamos incluir a participação
de empresas espanholas nas pesquisas. Também achamos que devemos
estudar mais a fundo as multinacionais brasileiras, como a Petrobras.
Ari aponta como um dos principais avanços do Intercâmbio a
qualificação da relação entre sindicatos e empresas.
Ele lembra que conhecer a realidade dos outros países é importante
neste momento em que, no Brasil, discute-se as reformas sindical e trabalhista.
Na Alemanha, por exemplo, existe uma forte organização
nos locais de trabalho. A Convenção 87 da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), que trata da liberdade sindical, sempre foi
defendida pela CUT e é a base das organizações sindicais
alemãs.
Leia neste boletim a avaliação que sindicalistas holandeses
e alemães fazem do evento, e também
a nota redigida pelos participantes do
III Intercâmbio. |
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uDelegação
holandesa analisa os avanços e desafios do Intercâmbio
uPara
dirigente sindical alemão, evento traz resultados positivos
uSeminário
reúne sindicalistas
da Finlândia, Suécia e Brasil
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a 16 de março - Intercâmbio de sindicatos do setor do
papel com dirigentes finlandeses, suecos e brasileiros. Em São
Paulo.
24
e 25 de março - Oficina Tecnologia de Informação
- Projeto Conexão, voltada para dirigentes sindicais do setor de
vestuário do Estado de São Paulo, Ceará e Rio Grande
do Sul. Em São Paulo.
24
e 25 de março - Seminário Nacional sobre Segurança
Bancária. No Hotel Del Rey, em Curitiba (PR).
13
a 18 de junho - XI Conferência da Unctad. Em São Paulo.
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Delegação
holandesa analisa os
avanços e desafios do Intercâmbio
O
III Intercâmbio excedeu nossas expectativas, diz o representante
da central sindical holandesa FNV, Jeroen Strengers. Esses
encontros têm sido um grande avanço, tanto para a compreensão
e motivação dos sindicalistas holandeses como para
nossos colegas do Brasil. Jeroen observa que um problema recorrente
demonstrado nas pesquisas do IOS é a falta de reconhecimento
das multinacionais holandesas no Brasil sobre o papel dos sindicatos.
Mas ao menos em duas empresas - Akzo Nobel e Philips - observamos
um grande avanço. Elas se comprometeram a estabelecer um
diálogo social com os representantes dos trabalhadores. No
caso da Unilever ainda temos muitos passos a dar. Acompanhe
o relato das visitas a cada empresa:
Akzo
Nobel - Uma delegação de dirigentes sindicais
holandeses e brasileiros visitou as unidades de São Bernardo
do Campo/SP (repintura automotiva), Santo Amaro/São Paulo
(Organon Farmacêutica do Brasil) e Raposo Tavares (tintas).
Nas três unidades, o grupo foi recebido por gerentes corporativos.
Não houve contato com os trabalhadores. A empresa aceitou
dar início ao diálogo social com os sindicatos em
uma reunião agendada para 26 de agosto de 2004, após
o primeiro encontro dos trabalhadores da Akzo Nobel, que será
realizado em 25 e 26 de agosto. Principais reivindicações
apresentadas:
-
Direito à representação sindical nas unidades
fabris da empresa e à troca de informações
entre sindicalistas de diferentes unidades.
-
Comprometimento da empresa em enviar informações para
os trabalhadores através dos sindicatos e de respeitar o
direito à sindicalização.
-
Aceitação de uma Convenção Coletiva
Nacional da Akzo Nobel.
-
Apoio da empresa na constituição de uma Comissão
de Fábrica em cada unidade, com direito à representação
de candidatos indicados pelo Sindicato.
-
Unificação da representação das comissões
de negociação como Cipa, de PPR (Plano de Participação
nos Resultados) e outras.
Philips
- A delegação sindical visitou a fábrica
da empresa na Zona Franca de Manaus, onde foi recebida pela diretoria.
Na oportunidade, o grupo conheceu a linha de produção
e conversou com os trabalhadores. A Philips não assumiu formalmente
nenhum compromisso com o diálogo em escala nacional. Entretanto,
seus diretores se mostraram dispostos a se reunir com representantes
sindicais, sempre que forem convidados a isso. Na avaliação
dos participantes do Intercâmbio, houve avanço significativo
com o fortalecimento dos laços de solidariedade e da troca
de informações entre trabalhadores brasileiros e holandeses.
O IOS, o OS Europa e a FNV têm a intenção de
realizar este ano um encontro de todos os sindicatos brasileiros
de trabalhadores da Philips com a direção da empresa.
Unilever
- A Unilever teve postura bem diferente das outras empresas
holandesas que participaram do Intercâmbio. É clara
a posição da Unilever Brasil de dificultar a abertura
de diálogo e negociação com o Comitê
Intersindical, divergindo da política da matriz na Europa.
Os sindicalistas brasileiros que integravam a delegação
foram impedidos de participar da visita à unidade de Valinhos(SP).
A empresa não assumiu nenhum compromisso com os trabalhadores.
Apenas mostrou interesse em conhecer as comissões de fábrica
na Holanda. Os trabalhadores da Unilever nos dois países
decidiram melhorar a comunicação, por meio da tradução
de documentos e da criação de uma lista de discussão
por e-mail. A intenção é buscar sempre uma
posição unificada para ganhar força nas negociações.
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Para
dirigente sindical alemão, evento traz resultados positivos
O
representante da central sindical alemã DGB, Manfred Brinkmann,
considera extremamente positivos os resultados do Intercâmbio. Conseguimos
acordar com os sindicatos e em alguns casos com as empresas a formação
de redes nacionais dos sindicatos das três empresas alemãs
que fazem parte do projeto. Em alguns casos já marcamos datas de
reuniões. Manfred cita outro progresso: a diretoria da ThyssenKrupp
de Barra do Piraí (RJ), onde haviam sido identificados muitos problemas
de saúde no trabalho, apresentou um plano de ação
detalhado para resolvê-los. Conseguimos elaborar uma nova
forma de solidariedade internacional, que não se resume a declarações,
mas avança para a construção de redes nacionais e
internacionais. Veja abaixo o relato das visitas às três
empresas alemãs:
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Participantes
do III Intercâmbio
visitam a fábrica da
Bayer em São Paulo
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Bayer
- A reunião com a presidência e a diretoria da empresa
abordou os seguintes temas: criação de uma Rede Nacional
de Trabalhadores; alteração no estatuto da Comissão
de Fábrica; discussão sobre Participação
nos Lucros e Resultados; impactos da criação da nova
empresa Newco e representação dos trabalhadores da
Bayer CropScience na Comissão de Fábrica. A empresa
se comprometeu a não impedir a criação da rede
e a discutir imediatamente o estatuto da Comissão de Fábrica
para as eleições de abril, em Belford Roxo. Os Sindicatos
e Comissão de Fábrica da Bayer no Brasil se comprometeram
com os companheiros alemães em dar continuidade à
construção da rede nacional e a manter um canal de
comunicação.
Bosch
- A delegação foi recebida pela presidência
da empresa em Campinas (SP) e pelos gerentes em todas unidades.
Houve visitas às linhas de produção. A Bosch
comprometeu-se a revisar o relatório de pesquisa do Observatório
Social e, com base nos problemas levantados, elaborar uma agenda
positiva de negociação nacional. Entre as principais
preocupações dos sindicalistas brasileiros estão
a dificuldade na negociação, LER/DORT e terceirização.
Um Comitê Nacional Bosch será formado pelos trabalhadores
para favorecer a organização sindical, a negociação
coletiva com a Europa e a cooperação com o Comitê
de Fábrica e o movimento sindical na Alemanha. A primeira
reunião será em abril de 2004.
ThyssenKrupp
- A delegação sindical pediu apoio da direção
da empresa para realização de um encontro nacional
do Comitê Sindical ThyssenKrupp no Brasil, em agosto. Obteve
o compromisso de que o pleito será examinado. As empresas
TKE (ThyssenKrupp Elevadores) e TKF (ThyssenKrupp Fundições)
indicaram ações específicas que tomaram em
relação a todos os pontos críticos apontados
na pesquisa do IOS. Os sindicalistas concordaram com a avaliação
de que algumas melhorias haviam ocorrido nas duas fábricas.
Entre os pontos positivos da reunião, destacam-se a apresentação
de planos de ação, a sinalização positiva
da empresa para o Comitê e a existência de um clima
de confiança entre sindicato e empresa em Campo Limpo. Em
novembro de 2004 há a intenção de realizar
uma reunião com os diretores de RH na Alemanha para apresentar
uma pauta comum de reivindicações das fábricas
do Brasil.
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Seminário
reúne sindicalistas
suecos, finlandeses e brasileiros
Acontece
no dia 16 de março o seminário de encerramento do intercâmbio
de seis dias entre sindicalistas do setor de papel da Finlândia,
Suécia e Brasil. O evento é organizado pelo Sindicato Nacional
dos Papeleiros (SINAP/CUT), pela Confederação Nacional dos
Químicos (CNQ/CUT) e pelo Instituto Observatório Social
(IOS).
Um
dos objetivos do intercâmbio é estabelecer cooperação
sindical entre os três países. A programação
tem enfoque especial na empresa Veracel, que está sendo construída
no sul da Bahia, e é uma joint-venture entre a Stora-Enso,corporação
de origem sueca e finlandesa, e a brasileira Aracruz.
Além
de reuniões com diretores da empresa e do sindicato, os participantes
tiveram a oportunidade de visitar os canteiros de obras da Veracel em
Barrolândia (BA). Nela estão sendo aplicados cerca de 3,
75 bilhões de reais, o maior investimento privado no setor de papel
e celulose dos últimos anos. Estima-se a geração
de 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos. A implementação
do projeto iniciou em 2002 e entrará em produção
de papel a partir de 2005.
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Entidades
da Holanda e Brasil decidem
novas ações sobre ABN Amro
A central sindical holandesa FNV, a Confederação Nacional
dos Bancários (CNB/CUT) e o Instituto Observatório Social
(IOS) decidiram estreitar a cooperação entre as três
entidades para atuar sobre a questão do ABN Amro. Em 2003, o banco
holandês comprou o Sudameris e promoveu uma reestruturação
que até agora significou a perda de 1.500 empregos. As três
entidades irão monitorar as condições de trabalho
no banco. Também estudam a idéia de apresentar uma queixa
junto ao Ponto de Contato Nacional (PCN), da Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Para as entidades, a empresa está violando uma das diretrizes da
OCDE, já que promoveu reestruturação e a demissão
em massa, sem que os sindicatos pudessem negociar.

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