BOLETIM DAS REDES SINDICAIS NAS EMPRESAS MULTINACIONAIS
Instituto Observatório Social

Nº 31, 16 de março de 2004

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Para CUT, III Intercâmbio qualifica a relação sindicato-empresa

Dirigentes sindicais alemães, holandeses e brasileiros avaliam como positivos os resultados do III Intercâmbio Sindical, evento que aconteceu entre dias 6 e 12 de março. Participaram cerca de 100 pessoas, entre sindicalistas dos três países, representantes de empresas, pesquisadores e tradutores. As atividades envolveram seminários, reuniões com sindicatos e empresas, além de visitas às fábricas de seis corporações alemãs e holandesas no Brasil.

Para o primeiro tesoureiro da CUT, Ari do Nascimento, esta parceria é muito proveitosa e vai ser ampliada. “Esperamos incluir a participação de empresas espanholas nas pesquisas. Também achamos que devemos estudar mais a fundo as multinacionais brasileiras, como a Petrobras”.

Ari aponta como um dos principais avanços do Intercâmbio a qualificação da relação entre sindicatos e empresas. Ele lembra que conhecer a realidade dos outros países é importante neste momento em que, no Brasil, discute-se as reformas sindical e trabalhista. “Na Alemanha, por exemplo, existe uma forte organização nos locais de trabalho. A Convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que trata da liberdade sindical, sempre foi defendida pela CUT e é a base das organizações sindicais alemãs”.

Leia neste boletim a avaliação que sindicalistas holandeses e alemães fazem do evento, e também a nota redigida pelos participantes do III Intercâmbio.
 


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Delegação holandesa analisa os avanços e desafios do Intercâmbio

uPara dirigente sindical alemão, evento traz resultados positivos

uSeminário reúne sindicalistas
da Finlândia, Suécia e Brasil






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10 a 16 de março - Intercâmbio de sindicatos do setor do papel com dirigentes finlandeses, suecos e brasileiros. Em São Paulo.

24 e 25 de março - Oficina Tecnologia de Informação - Projeto Conexão, voltada para dirigentes sindicais do setor de vestuário do Estado de São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. Em São Paulo.

24 e 25 de março - Seminário Nacional sobre Segurança Bancária. No Hotel Del Rey, em Curitiba (PR).

13 a 18 de junho - XI Conferência da Unctad. Em São Paulo.


Delegação holandesa analisa os
avanços e desafios do Intercâmbio

“O III Intercâmbio excedeu nossas expectativas”, diz o representante da central sindical holandesa FNV, Jeroen Strengers. “Esses encontros têm sido um grande avanço, tanto para a compreensão e motivação dos sindicalistas holandeses como para nossos colegas do Brasil”. Jeroen observa que um problema recorrente demonstrado nas pesquisas do IOS é a falta de reconhecimento das multinacionais holandesas no Brasil sobre o papel dos sindicatos. “Mas ao menos em duas empresas - Akzo Nobel e Philips - observamos um grande avanço. Elas se comprometeram a estabelecer um diálogo social com os representantes dos trabalhadores. No caso da Unilever ainda temos muitos passos a dar”. Acompanhe o relato das visitas a cada empresa:

Akzo Nobel - Uma delegação de dirigentes sindicais holandeses e brasileiros visitou as unidades de São Bernardo do Campo/SP (repintura automotiva), Santo Amaro/São Paulo (Organon Farmacêutica do Brasil) e Raposo Tavares (tintas). Nas três unidades, o grupo foi recebido por gerentes corporativos. Não houve contato com os trabalhadores. A empresa aceitou dar início ao diálogo social com os sindicatos em uma reunião agendada para 26 de agosto de 2004, após o primeiro encontro dos trabalhadores da Akzo Nobel, que será realizado em 25 e 26 de agosto. Principais reivindicações apresentadas:
- Direito à representação sindical nas unidades fabris da empresa e à troca de informações entre sindicalistas de diferentes unidades.
- Comprometimento da empresa em enviar informações para os trabalhadores através dos sindicatos e de respeitar o direito à sindicalização.
- Aceitação de uma Convenção Coletiva Nacional da Akzo Nobel.
- Apoio da empresa na constituição de uma Comissão de Fábrica em cada unidade, com direito à representação de candidatos indicados pelo Sindicato.
- Unificação da representação das comissões de negociação como Cipa, de PPR (Plano de Participação nos Resultados) e outras.

Philips - A delegação sindical visitou a fábrica da empresa na Zona Franca de Manaus, onde foi recebida pela diretoria. Na oportunidade, o grupo conheceu a linha de produção e conversou com os trabalhadores. A Philips não assumiu formalmente nenhum compromisso com o diálogo em escala nacional. Entretanto, seus diretores se mostraram dispostos a se reunir com representantes sindicais, sempre que forem convidados a isso. Na avaliação dos participantes do Intercâmbio, houve avanço significativo com o fortalecimento dos laços de solidariedade e da troca de informações entre trabalhadores brasileiros e holandeses. O IOS, o OS Europa e a FNV têm a intenção de realizar este ano um encontro de todos os sindicatos brasileiros de trabalhadores da Philips com a direção da empresa.

Unilever - A Unilever teve postura bem diferente das outras empresas holandesas que participaram do Intercâmbio. É clara a posição da Unilever Brasil de dificultar a abertura de diálogo e negociação com o Comitê Intersindical, divergindo da política da matriz na Europa. Os sindicalistas brasileiros que integravam a delegação foram impedidos de participar da visita à unidade de Valinhos(SP). A empresa não assumiu nenhum compromisso com os trabalhadores. Apenas mostrou interesse em conhecer as comissões de fábrica na Holanda. Os trabalhadores da Unilever nos dois países decidiram melhorar a comunicação, por meio da tradução de documentos e da criação de uma lista de discussão por e-mail. A intenção é buscar sempre uma posição unificada para ganhar força nas negociações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia a nota redigida pelos participantes do III Intercâmbio


Para dirigente sindical alemão, evento traz resultados positivos

O representante da central sindical alemã DGB, Manfred Brinkmann, considera extremamente positivos os resultados do Intercâmbio. “Conseguimos acordar com os sindicatos e em alguns casos com as empresas a formação de redes nacionais dos sindicatos das três empresas alemãs que fazem parte do projeto. Em alguns casos já marcamos datas de reuniões”. Manfred cita outro progresso: a diretoria da ThyssenKrupp de Barra do Piraí (RJ), onde haviam sido identificados muitos problemas de saúde no trabalho, apresentou um plano de ação detalhado para resolvê-los. “Conseguimos elaborar uma nova forma de solidariedade internacional, que não se resume a declarações, mas avança para a construção de redes nacionais e internacionais”. Veja abaixo o relato das visitas às três empresas alemãs:

 

 

Participantes do III Intercâmbio
visitam a fábrica da
Bayer em São Paulo

Bayer - A reunião com a presidência e a diretoria da empresa abordou os seguintes temas: criação de uma Rede Nacional de Trabalhadores; alteração no estatuto da Comissão de Fábrica; discussão sobre Participação nos Lucros e Resultados; impactos da criação da nova empresa Newco e representação dos trabalhadores da Bayer CropScience na Comissão de Fábrica. A empresa se comprometeu a não impedir a criação da rede e a discutir imediatamente o estatuto da Comissão de Fábrica para as eleições de abril, em Belford Roxo. Os Sindicatos e Comissão de Fábrica da Bayer no Brasil se comprometeram com os companheiros alemães em dar continuidade à construção da rede nacional e a manter um canal de comunicação.

Bosch - A delegação foi recebida pela presidência da empresa em Campinas (SP) e pelos gerentes em todas unidades. Houve visitas às linhas de produção. A Bosch comprometeu-se a revisar o relatório de pesquisa do Observatório Social e, com base nos problemas levantados, elaborar uma agenda positiva de negociação nacional. Entre as principais preocupações dos sindicalistas brasileiros estão a dificuldade na negociação, LER/DORT e terceirização. Um Comitê Nacional Bosch será formado pelos trabalhadores para favorecer a organização sindical, a negociação coletiva com a Europa e a cooperação com o Comitê de Fábrica e o movimento sindical na Alemanha. A primeira reunião será em abril de 2004.

ThyssenKrupp - A delegação sindical pediu apoio da direção da empresa para realização de um encontro nacional do Comitê Sindical ThyssenKrupp no Brasil, em agosto. Obteve o compromisso de que o pleito será examinado. As empresas TKE (ThyssenKrupp Elevadores) e TKF (ThyssenKrupp Fundições) indicaram ações específicas que tomaram em relação a todos os pontos críticos apontados na pesquisa do IOS. Os sindicalistas concordaram com a avaliação de que algumas melhorias haviam ocorrido nas duas fábricas. Entre os pontos positivos da reunião, destacam-se a apresentação de planos de ação, a sinalização positiva da empresa para o Comitê e a existência de um clima de confiança entre sindicato e empresa em Campo Limpo. Em novembro de 2004 há a intenção de realizar uma reunião com os diretores de RH na Alemanha para apresentar uma pauta comum de reivindicações das fábricas do Brasil.


Seminário reúne sindicalistas
suecos, finlandeses e brasileiros


Acontece no dia 16 de março o seminário de encerramento do intercâmbio de seis dias entre sindicalistas do setor de papel da Finlândia, Suécia e Brasil. O evento é organizado pelo Sindicato Nacional dos Papeleiros (SINAP/CUT), pela Confederação Nacional dos Químicos (CNQ/CUT) e pelo Instituto Observatório Social (IOS).

Um dos objetivos do intercâmbio é estabelecer cooperação sindical entre os três países. A programação tem enfoque especial na empresa Veracel, que está sendo construída no sul da Bahia, e é uma joint-venture entre a Stora-Enso,corporação de origem sueca e finlandesa, e a brasileira Aracruz.

Além de reuniões com diretores da empresa e do sindicato, os participantes tiveram a oportunidade de visitar os canteiros de obras da Veracel em Barrolândia (BA). Nela estão sendo aplicados cerca de 3, 75 bilhões de reais, o maior investimento privado no setor de papel e celulose dos últimos anos. Estima-se a geração de 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos. A implementação do projeto iniciou em 2002 e entrará em produção de papel a partir de 2005.

 

Entidades da Holanda e Brasil decidem
novas ações sobre ABN Amro


A central sindical holandesa FNV, a Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT) e o Instituto Observatório Social (IOS) decidiram estreitar a cooperação entre as três entidades para atuar sobre a questão do ABN Amro. Em 2003, o banco holandês comprou o Sudameris e promoveu uma reestruturação que até agora significou a perda de 1.500 empregos. As três entidades irão monitorar as condições de trabalho no banco. Também estudam a idéia de apresentar uma queixa junto ao Ponto de Contato Nacional (PCN), da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para as entidades, a empresa está violando uma das diretrizes da OCDE, já que promoveu reestruturação e a demissão em massa, sem que os sindicatos pudessem negociar.

 



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