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BOLETIM DAS REDES SINDICAIS
NAS EMPRESAS MULTINACIONAIS

uSindicatos da Bosch estão próximos de formalizar comitê nacional

uBancários discutem proposta da Fenaban

uEternit é condenada
a indenizar trabalhadores

uShell e Basf pagarão tutela mensal a ex-trabalhador que sofreu contaminações

uSindicalistas na agricultura discutem responsabilidade social

uBradesco adota Princípios do Equador

uBoletim da Unilever
ganha versão
em português

Instituto Observatório Social
Nº 57 - 14 de setembro de 2004

Multinacionais e ONGs
lançam código mundial do café

Empresas como Nestlé, Sara Lee, Kraft Foods e Tchibo são algumas das 70 entidades ligadas à produção do café que apresentaram na sexta-feira, 10 de setembro, o Common Code for the Coffee Community (CCCC - Código Comum para a Comunidade Cafeeira).

Resultado de 18 meses de trabalho entre empresas e organizações não governamentais, a iniciativa abrange os padrões básicos no campo social, ambiental e econômico para se obter uma maior sustentabilidade a produção, processamento e comércio de café verde.

De caráter voluntário, o código de conduta deve resultar em melhoria das condições de vida de agricultores, em proteção ambiental e maior eficiência econômica. Informações do jornal Swissinfo dão conta que as empresas ainda não esclareceram quando irão assinar o pacto.

Ao adotarem o código, produtores e comerciantes de café se comprometem a pagar salários mínimos, interromper o uso de trabalho infantil, permitir a associação a sindicatos e seguir os padrões ambientais internacionais sobre pesticidas e poluição da água. Cerca de 25 milhões de pessoas em 70 países em desenvolvimento dependem da produção de café. Nos últimos anos, a indústria do café vem passando por uma crise de superprodução e preços em queda.

Em 2001, o mercado mundial do café movimentou cerca de 70 bilhões de dólares. Desse total, apenas 5,5 bilhões chegaram aos países produtores.

O código será implementado em projetos-piloto em países da África, Ásia e América Latina, em países como Etiópia, Uganda, Vietnã e El Salvador, que já possuem programas já em andamento.

Uma das iniciativas voluntárias de maior alcance feita por uma indústria, o código prevê avaliação regular e seu cumprimento será acompanhado por auditoria independente. Além das principais multinacionais que atuam na área, também apoiam o documento ONGs como a Oxfam e federações sindicais que representam trabalhadores na indústria do café, como a inglesa UITA. O Greenpeace retirou-se da iniciativa, por discordar sobre o uso de sementes geneticamente modificadas.

Se inteiramente implementado, o código poderá cobrir cerca de 80% do mercado global do café.
Fontes: FT e Swissinfo.
Foto: Sérgio Vignes.

AGENDA

13 e 14 de setembro
Oficina de Sindicalismo e Responsabilidade Social com a CONTAG. Em Brasília.

16 de setembro
Encontro dos Sindicatos da Bosch. São Paulo.

29 e 30 de setembro
Encontro dos Sindicatos da Unilever. Local a ser confirmado.

20 de outubro
Jornada Continental de Luta no ABN-Amro Bank. No Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Chile.

6 a 15 de novembro
IV Intercâmbio Sindical Alemanha-Brasil-Holanda. Na Alemanha.

20 a 30 de novembro
V Intercâmbio Sindical Alemanha-Brasil-Holanda. Na Holanda.

Sindicatos da Bosch estão próximos de formalizar comitê nacional

Trabalhadores da Bosch vão se reunir em São Paulo no próximo dia 16 com o objetivo de constituir o Comitê Nacional dos Sindicatos da Bosch. São aguardados representantes de trabalhadores das fábricas da empresa em Campinas, Curitiba, São Paulo, Aratu e Pomerode.

O evento será promovido pela Fundação Friedrich Ebert (FES) e pelo Instituto Observatório Social (IOS).

Este será o segundo encontro do grupo. O primeiro foi realizado no dia 7 de maio, quando os sindicalistas decidiram criar a rede e acertaram uma pauta a ser debatida com a base.
Agora, o grupo deverá definir o formato do comitê nacional, decidindo como será a composição, quem serão os coordenadores e como será a forma de financiamento para a atuação.

No encontro, os sindicalistas também irão organizar a negociação com a empresa em relação aos temas de interesse comum e definir a agenda de trabalho conjunto.

O evento representa um dos passos mais importantes da organização sindical dos trabalhadores na Bosch. Esta jornada teve início em 2002, quando iniciaram as pesquisas do Observatório Social na empresa. Depois, os representantes sindicais brasileiros participaram de um intercâmbio sindical na Alemanha. Lá visitaram seis fábricas da Bosch, relataram a realidade no Brasil e reuniram-se com a diretoria mundial da empresa.

Em março, no intercâmbio sindical realizado no Brasil, em uma reunião com a direção da Bosch no Brasil, a empresa se mostrou disposta a negociar com os sindicatos em âmbito nacional. A principal tarefa dos sindicatos agora é organizar a pauta de negociação.

Bancários discutem proposta da Fenaban

Em assembléias marcadas para hoje, os bancários de todo o país devem avaliar a nova proposta apresentada pela Fenaban, com um índice de 8,5%, um avanço em relação da primeira de 6%. A executiva avalia como positiva e indica a aceitação.

“Além do aumento real, garantimos a 13ª cesta-alimentação, a valorização do piso e o fim da política de abono, que a cada ano corroía os salários. O piso que valia apenas 2,93 salários mínimos no ano passado, volta a superar os três salários e ainda teremos um acordo válido para os 400 mil bancários de todo o país e não apenas para 200 mil do setor privado, como era antes”, destacou o presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas.
Fonte: CNB/CUT


 

 

 

 

 

 

Eternit é condenada
a indenizar trabalhadores

O movimento mundial pelo banimento do amianto ganha uma vitória importante na justiça: a condenação da empresa Eternit em indenizar seus ex-funcionários por contaminação. Cerca de 2.500 pessoas poderão ser beneficiadas.

O julgamento em primeira instância aconteceu no dia 26 de agosto. Na sentença, a juíza Teresa Rodrigues dos Santos, da 18ª Vara Cível, condenou a empresa a pagar indenizações patrimoniais - com pensão vitalícia mensal - e por danos morais - com valores de 50 a 300 salários mínimos (R$ 13 mil a R$78 mil). A indústria também foi obrigada pela justiça a pagar planos de saúde para os doentes. De acordo com a Abrea, o valor das indenizações pode chegar a R$500 milhões.

Essa é a maior vitória das vítimas do amianto, desde o surgimento em 1995 da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). A fibra causa doenças respiratórias, câncer no pulmão e mesotelioma. A patologia mais comum é a asbestose - mal crônico, progressivo e sem tratamento. Popularmente, se diz que o pulmão endurece até virar pedra. A Abre conta que 80 pessoas já morreram em decorrência da contaminação.

A ação civil pública foi proposta em abril deste ano pelo Ministério Público de São Paulo, em resposta a uma proposta apresentada pela Eternit aos funcionários. A oferta inicial previa o pagamento de plano de saúde mais uma indenização que variava de R$ 5 mil a R$ 15 mil.

A Eternit anunciou que vai recorrer da decisão. A empresa disse que a sentença ‘’ratifica’’ um acordo que já havia sido firmado com os ex-funcionários, mas que ‘’tem pontos a serem discutidos em apelação’’.

A fiscal do Ministério do Trabalho, Fernanda Giannasi, espera que outras ações sejam julgadas agora, como as da Brasilit e da Eterbrás.
Fontes: Abrea, Valor e Época.
Foto: Eternit

Shell e Basf pagarão tutela mensal a ex-trabalhador que sofreu contaminações

A Shell Brasil Ltda e a Basf do Brasil S.A. foram condenadas a pagar R$ 1.722,36 mensalmente a Nivaldo Janasco, ex-trabalhador nestas empresas no período de 1977 a 1995, a título de tutela antecipada.

A decisão foi tomada pelo juiz Gerson Lacerda Pistori do TRT – Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região – Campinas, no dia 31 de agosto último, e deverá ser cumprida até o julgamento do mérito do processo que Janasco move contra as multinacionais por danos morais em conseqüência de doença profissional adquirida no local de trabalho.

Fonte: CUT, citando o Sindicato dos Químicos Unificados de Campinas, Osasco e Vinhedo.

 
 

Sindicalistas na agricultura
discutem responsabilidade social

Cerca de 30 dirigentes sindicais ligados ao setor agrícola participam em Brasília nos dias 13 e 14 da oficina Sindicalismo e Responsabilidade Social Empresarial. A iniciativa é do Insituto Observatório Social em parceria com a Contag-CUT (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura). Esta é a terceira oficina de 2004.

O objetivo é discutir a responsabilidade social das empresas ligadas que atuam no setor agrícola, do ponto de vista da organização sindical.

Um dos tópicos que deverá merecer atenção dos participantes será o caso da indústria do café, que acaba de lançar um código de conduta que visa melhorar as condições de trabalho e proteger o meio ambiente (ver matéria neste boletim).

Bradesco adota Princípios do Equador

O Bradesco anunciou que vai aderir aos Princípios do Equador, comprometendo-se assim a levar em conta o impacto socioambiental dos pedidos de crédito de projetos superiores a US$ 50 milhões. Os Princípios do Equador reúnem um conjunto de critérios socioambientais e de responsabilidade social, e foram criados em junho de 2003 por um grupo de dez bancos. Hoje já fazem parte 29 instituições. Além do Bradesco, outros dois bancos brasileiros são o Itaú e o Unibanco. O Banco do Brasil está estudando adotar os princípios em 2005.

Para saber mais sobre os Princípios do Equador: www.observatoriosocial.org.br/boletim/boletim43.htm

Fonte: Valor

Boletim da Unilever
ganha versão em português

Todos os meses o Boletim da Rede Sindical Mundial da Unilever mostra o que os sindicatos têm feito nas unidades da Unilever em países como Holanda, Brasil, Índia e outros onde a empresa está presente. A partir de agora, além da versão em inglês, o boletim passa a ser publicado em português. O objetivo da nova versão é compartilhar as informações com os sindicalistas brasileiros.

O boletim é uma iniciativa da rede mundial de sindicatos da Unilever, com apoio do IUF (sindicato internaticional da indústria de alimentos, agricultura, hotéris e restarantes), da ICEM (Federação Internacional dos Trabalhadores da Indústria Química, de Energia e Mineração) e da central sindical holandesa FNV.

Para receber por e-mail, entre em contato com a editora, Femke Weiss, pelo endereço: Femke.weiss@vc.fnv.nl.
A edição de agosto está disponível no link: www.observatoriosocial.org.br/download/UnileverAgo04.pdf


Clique aqui para obter a versão em PDF do boletim, para que você possa imprimi-lo e fixá-lo nos murais de seu local de trabalho.

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Instituto Observatório Social
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Artur Henrique dos Santos (CUT/Brasil)
Ari do Nascimento (CUT/Brasil)
Maria Ednalva Bezerra de Lima(CUT/Brasil)
Carlos Roberto Horta (Unitrabalho)
Clemente Ganz Lúcio (Dieese)
Maria Inês Barreto (Cedec)
Clóvis Scherer (Coordenador Técnico Nacional)
Odilon Faccio (Coordenador Institucional)
Boletim Rede Sindical
Diretor Responsável: Kjeld Jakobsen
Editores:
Odilon Faccio, José Drummond e Karen Brouwer
Equipe: Ronaldo Baltar, Lilian Arruda, Pieter Sijbrandij
Jornalista Responsável:
Laura Tuyama (SC 959-JP)
Colaboração: Sandra Werle (SC 515-JP)
Tradução: Jeffrey Hoff e Valéria Herzberg
Projeto Gráfico/Editoração: Coordenação de Comunicação do IOS
Fotos: Sérgio Vignes e Banco de Imagens Instituto Observatório Social
Edição de imagens: Ana Iervolino
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