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VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA



VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA
Atualizado em 12 de setembro de 2008 às 10:46 | Publicado em 12 de
setembro de 2008 às 10:38

por CONCEIÇÃO LEMES

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Mônica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam.

Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido - na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

No site VIOMUNDO:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/viuva-de-paulo-freire-escreve-ca...

SAUDAÇÕES A TODOS...

Apos dias sem contatos, estou coando para aprimorar os conhecimentos...

Temos que dar uma cipoada na veja

Não me ocupo em lê tal revista, faz tempo!
Esse veículo de comunicação é um lixo despresível.
Parabens pela resposta e pelas reações à reportagem medócre da "Não veja".
Uma porcaria que presta um imenso desserviço ä educação do povo brasileiro.

Abraços,

Ronaldo Dantas - Natal/RN

Ana Maria

Pertinente o comentário de Ana Maria. A revista em questão não tem nenhum comprometimento em defender os direitos das classes oprimidas; ao contrário, está sempre do lado do opressor. Haja vista a forma como trata a causa dos Palestinos. Ao se referir a Paulo Freire, o faz com total desconhecimento e consequente desprezo. Dentro do contexto da Educação, fazer referência e reverência a Albert Einstein, em detrimento da memória de Paulo Freire é no mínimo hilário.

Antônio Pimenta de Andrade

Apoio e solidariedade a sra. Paulo Freire

Professora Ana Maria.
Eu sou professora e sei a importância de Paulo Freire para a nossa educação, sou tambem filosofa e sei que existem alguns colegas que acham que por serem filosofos pode dizer o que querem e pensam sem assumir as responsabilidades, mas uma coisa é Paulo Freire e outra e esse..esse..como é mesmo o nome....???? rsrsrsrsrsss!
Grande abraço.
Profa Leliz da Silveira
P.S. Quanto a revista veja, bem eu já tenho na net um comentário de porque não leio nem assino mais esse folhetim marron é só colocar meu nome no google que a senhora poderá ler.

Indignação perante o desrespeito à Paulo freire

Reportagens similares a esta que a Veja veiculou é uma vergonha para qualquer país que valoriza a educação e respeita seus aducadores. As pessoas que escreveram essa matéria com certeza não sabem o que é está numa sala de aula neste país e por isso não podem entender a dimensão da importância que Paulo Freire tem no cotidiano de cada professor em cada recanto deste imenso Brasil.
E com certeza este é o medo da Veja, pois não é morrendo um corpo que se elimina um homem.As idéias de Paulo Freire continuam enraigadas e atuantes na mente e na prática de todos que amam a educação e sabem que ela é a semente da esperança que florescerá para um Brasil mais Justo e Humano.

Repúdio a revista veja

Parabéns Senhora Ana Maria!

Acho que não só a Senhora, mas todos os educadores brasileiros deveriam fazer uma nota de repúdio, afinal, foram também ofendidos.

Vera
Rio Bananal - ES

Apoio à carta de repúdio

Meu apoio incondicional, total e irrestrito a carta de repúdio escrita pela Nita, os pobres de espírito precisam tentar destruir para fazerem-se notados. Sujiro que este senhor e suas seguidoras estudem um pouco mais e principalmente mais que estudar, coloquem em prática o que é a verdadeira educação. Comentar mais do que isso sobre esses pobres seres seria bater palma para louco dançar, e há muito o que se fazer pelo ensino no país para perder tal tempo, não gastarei mais energia nisso, que durmam com sua burrice e ignorância.

Maria Baldin
Educadora

Parabéns D. Ana Maria, são

Parabéns D. Ana Maria, são pessoa como a senhora, com consciência e discernimento que precisamos neste país. Precisamos alardear a todos o que realmente se esconde por trás destas revistas como a Veja, Jornal o Globo e outras mais.
Quanto mais falam mal do Educador Paulo Freire, mais sua importância e seu trabalho em prol da educação se faz presente.

Meu total apoio a sua carta de repudio, chega de hipocrisia.

Carmen Costa
Assessora de Relações Internacionais
SINDMAR - DRB

Lanço um desafio pra conexão

Júnior li esta matéria também, achei muito interessante, já lancei um desafio para direção do SINDPD e agora vou provocar aqui na conexão.

Abri um blog recentemente para mapear o pessoal de TIC, e nas conversas que rolaram descambamos para um tal de CIBERATIVISMO, o Alex já me passou um material bastante interessante e vou combinar com ele pra postarmos mais sobre este tema.

Acho que esta matéria lava a nossa alma, diante desta revista que está aserviço do capital, e me incomoda não poder fazer mais. Acho que podemos sim...vamos estudar um pouco mais sobre o ciberativismo e organizar esta nova forma de combate a estrutura burguesa de comunicação.

Convido voce e os demais pra entra nesta peleja.

Greg

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