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Observatório Social

QUEM SERÁ BENEFICIADO COM A COMPRA DE PARTE DO BANCO VOTORANTIM?



A possível compra de parte do Banco Votarantim (BV) pelo Banco do Brasil (BB) é uma evidente “tábua de salvação” do grupo Ermírio de Moraes, com uma injeção bilionária de dinheiro público para pagar os prejuízos decorrentes de recentes operações com derivativos de câmbio.
Caso concretizada a venda, o governo estará inaugurando o mecanismo de transferência de dinheiro público autorizado pela MP 443, que permite ao BB comprar bancos em dificuldade. Ao invés de estatizar os bancos quebrados para garantir os empregos, sem indenização, o governo dará dinheiro público para os banqueiros e especuladores com a justificativa de conter os “efeitos da crise”.

E os empregos na BV?

Pela proposta, o controle acionário e da tesouraria do banco ficaria com o grupo Ermírio de Moraes, o mesmo que levou o banco quase a bancarrota com a especulação. E segundo Antonio Ermírio “não devemos desconsiderar a necessidade de fazermos nosso próprio sacrifício”.
Piada. O “sacrifício” dos grandes empresários está sendo receber do governo bilhões dos cofres públicos. Já para a classe trabalhadora, o sacrifício é aceitar as demissões e diminuição de seus salários para manutenção da taxas de lucro das multinacionais. Ermírio diz que “o trabalho que é feito por uma pessoa tem que ser feito por duas – cada um trabalhando em tempo parcial e com salário menor” (FSP 09/11).
Essa é o futuro planejado pelos Ermírio de Moraes para os milhares de trabalhadores da BV? E agora com o aval e participação do governo? O jornal Valor Econômico (07/11) já se adianta a negociata e diz que “é interessante não estatizar o banco e manter a agilidade e competitividade da instituição, principalmente no que diz respeito à contratação de fornecedores e pessoal”. Contratação: leia-se terceirização e demissões.
Ou seja, além de injetar dinheiro nos cofres do grupo econômico mais poderoso do país, o governo vai deixar em suas mãos às finanças e a gestão do BV, para continuar com a festa especulativa e exigindo a parcela de “sacrifício” de cada trabalhador.

A BV é uma bomba relógio: o subprime tupiniquim

O BB obviamente diz que está diante de uma mina de ouro, cobiçada há anos pelo banco, devido a experiência da BV no financiamento de veículos. Mas a verdade é outra. A BV Financeira, especializada em financiamento de veículos, diante da crise, não passa de uma bomba relógio. Isso porque a crise aponta um cenário de grande recessão econômica e o risco de inadimplência cresce.
Numa realidade em que o sujeito financiava até 100% do valor do veículo, em até 6 anos, dando somente o próprio bem como garantia, com um juros de até 3% a.m., numa euforia descabida de emprestar dinheiro mesmo que a pessoa não quisesse pegar...o risco é gigantesco! O Economista Hugo Eduardo Meza Pinto afirma que o financiamento de veículos no Brasil é o subprime tupiniquim e uma explosão dessa “bolha de crédito” poderia trazer conseqüências similares ao que ocorreu com os bancos americanos com o crédito imobiliário.

Para garantir os empregos: banco quebrado é banco estatizado! Nenhum centavo para os banqueiros!

A resolução da executiva nacional da CUT é muito positiva quando diz que “a intervenção do Estado não pode significar a ‘socialização das perdas’ do setor financeiro com a sociedade em geral - sendo que, no período do crescimento recente, o que se percebeu foi a ‘privatização dos ganhos’ expressa nos gigantescos lucros anuais dos bancos, que atingem a casa de dezenas de bilhões de dólares no Brasil”. E aponta o caminho: “qualquer instituição financeira que apresente estado de falência deve ser estatizada”.
Se o BV está em crise deve ser estatizado, seja integrando-o aos bancos públicos ou de outra forma encontrada pelo governo, sem qualquer indenização. Não é possível aceitar essa rapinagem que está sendo proposta. O dinheiro do povo não pode ser usado para comprar carteiras de créditos questionáveis e para salvar a ganância de grupos econômicos privados.
O governo Lula pode e deve salvar os milhões de empregos ameaçados no país e evitar uma crise social sem precedentes. Mas para isso deve romper com a chantagem dos grandes empresários e especuladores e impedir que quem pague a conta da crise sejam os trabalhadores

André Machado – Secretário de Relações Sindicais do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região

Flavia

Mas se o BB comprar a BV financeira, isso pode levar a desemprego para os funcionarios da parte de financiamentos neh? Isso corre risco de acontecer?

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contra a desnacionalização da economia brasileira

André, muito legal seu texto!
O Grupo Votorantim está também desnacionalizando duas empresas de Pesquisa importantissimas, que são da base do nosso sindicato aqui: a Allellyx e a Canavialis. Estão vendendo-as para a Monsanto. Leia o texto publicado no site da CUT sobre o tema: http://www.cut.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=11416

Se o governo permitir isso, estará jogando conhecimento adquirido com dinheiro publico na mão das multinacionais. Nosso sindicato vai entrar com uma ação civil publica contra a venda dessas empresas!

saudações,

Mateus

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