Trifil polui rio Cachoeira e Nova Itabuna - BA
Jornal A Região - Bahia
Trifil polui rio Cachoeira e Nova Itabuna
prejudicando 700 famílias que moram no bairro, onde é fãcil encontrar pessoas doentes no trecho que fica ao lado do riacho desviado pela empresa, onde seus dejetos são jogados sem tratamento.
Quando foi instalada, a Trifil construiu uma barragem e desviou um riacho. Ela capta a água, limpa, deste riacho, usa e depois reusa a parte limpa, através de bombas e filtros. Mas em seguida despeja no riacho toda a parte contaminada pelos produtos químicos e tintas.
O córrego, depois de poluído, atravessa uma extensão de mais de dois quilômetros com casas ao lado, seguindo pelo outro lado da BR-415 para o rio Cachoeira, onde toda a poluição da Trifil é despejada sem qualquer tratamento, uma água preta e mal cheirosa.
Os moradores reclamaram várias vezes na prefeitura mas, segundo eles, "ninguém tomou providências porque a Trifil é amiga do prefeito".
Por isso eles organizaram um abaixo-assinado, com a assinatura de mais de 400 famílias, denunciando a empresa por jogar lixo químico diretamente no córrego.
Os moradores denunciam que a vala aberta pela Trifil para escoar os dejetos químicos tem causado mau cheiro, um forte aumento na infestação de mosquitos (inclusive o transmissor da dengue), mortandade dos peixes e contaminação da água.
Mortes
Segundo os moradores, o córrego era limpo, sendo utilizado pelos moradores para lavar roupas, pratos, para banho e pesca.
Logo quando a empresa começou a funcionar não existia esse problema, porém, depois de uns três anos, a contaminação do córrego se intensificou.
Nos últimos meses a situação ficou insustentável, a ponto de matar os peixes e alguns animais que bebem a água do córrego, como gatos e cachorros.
Nossa reportagem encontrou, só em um trecho pequeno, seis pessoas que ficam doentes constantemente depois da contaminação do riacho, sendo duas crianças.
Segundo Antônio Carlos Soares Alves, morador da rua do Dendê, sua filha foi acometida de febre tifóide devido à contaminação do córrego. Antônio conta que ela não é um caso isolado, pois outras crianças foram vitimas também.
"O cheiro é insuportável, já procuramos a empresa, explicamos que utilizamos a água do córrego para nossa sobrevivência e que não podemos mais aceitar o que está acontecendo, mas até o momento nada foi feito".
Os moradores explicam que pretendem expor a situação nos meios de comunicação de massa e, se o problema persistir, vão entrar com uma ação no Ministério Público.
Outro lado
De acordo com o gerente da Trifil, Antônio Sérgio Bueno, a denúncia dos moradores não é verídica pois a empresa, assim como todas de seu porte, tem uma estação de tratamento que cuida de toda a água e afluentes que entram e saem da empresa.
Ele também alega que ela possui toda a documentação necessária para o seu funcionamento, incluindo licenças do Ministério do Meio Ambiente. Ele disponibiliza estes papéis para serem averiguados por órgãos ou instituições legalmente autorizados.
Para ter certeza sobre quem está falando a verdade, nossa reportagem foi ao local e inspecionou todo o trajeto, desde a barragem da Trifil até o Rio Cachoeira.
Ficou claro que a Trifil está realmente poluindo o riacho e o Rio Cachoeira, além de ameaçar a saúde de quase 3.500 moradores daquele trecho do bairro Nova Itabuna.
Toda a situação relatada pelos moradores foi confirmada por nós. A água parece contaminada por tintas e produtos químicos, cheira mal e, ao longo de todo o trecho da vala aberta pela Trifil, o mato foi morto por estes produtos. No Cachoeira é fácil encontrar peixes mortos boiando.
A Trifil com certeza tem os documentos do CRA e Ibama relativos ao projeto da fábrica, mas a situação atual não deve ter sido considerada pelos dois órgãos, que deveriam comparecer ao bairro e comprovar os danos ambientais causados pela empresa.
Poluição da Trifil
Os dejetos químicos e tintas jogados no riacho do Nova Itabuna pela fábrica da Trifil percorrem quase três quilômetros margeando as casas do bairro. Nas épocas de muita chuva, a água poluída e perigosa invade as casas, aumentando o risco sanitário das famílias. É fácil encontrar pessoas doentes em todo o trecho e, ao desembocar no Rio Cachoeira, a poluição vem matando os peixes.
