ER6 - trabalho escravo

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Reportagem
Escravos do Aço (versão html)

 

Junho de 2004

Florianópolis-SC, Brasil

Uma publicação do Observatório Social


Trabalho escravo no Brasil

A sexta edição do Observatório Social Em Revista aborda a violação de um direito fundamental do ser humano, a liberdade. Mais de um século depois de abolida a escravidão oficial no Brasil, o crime continua sendo praticado com a quase certeza da impunidade, principalmente em áreas de difícil acesso na Amazônia. A escravidão contemporânea dispensa grilhões, porém é mais perversa, pois o cativo não é considerado um bem: é aliciado, explorado e descartado.

A reportagem jornalística Escravos do Aço mostra que o mercado de ferro gusa, que movimenta 400 milhões de dólares anuais somente na região Norte, se baseia em uma das piores formas de exploração humana. Siderúrgicas se beneficiam de trabalho escravo em carvoarias na selva amazônica.

Esta é a ponta inicial de uma cadeia de produção que envolve, com diversos graus de responsabilidade, gigantes industriais como Queiroz Galvão e Gerdau. A Companhia Vale do Rio Doce e a maior produtora de aço dos Estados Unidos, Nucor Corporation, relacionam-se comercialmente com essas empresas. Um sistema arcaico alimenta um mercado de produção globalizada que faz uso intensivo de energia, tecnologia e capital, mas pouco se importa com as vidas humanas.

O trabalho escravo é um dos temas focalizados nas atividades do IOS. Somamos esforços à campanha desenvolvida pelo governo, sociedade civil e organismos internacionais para erradicar esse mal. Apoiamos as iniciativas voluntárias de atuação responsável do setor privado. Mas para que tenham credibilidade e resultados efetivos, é preciso que sejam monitoradas externamente.

Boas iniciativas são louváveis e devem ganhar destaque para servir de exemplo. Melhor ainda é permitir que fontes independentes verifiquem as ações positivas e façam o elogio. Também julgamos fundamental que as corporações respeitem a Constituição Federal e as normas internacionais de trabalho, bem como busquem parcerias com as representações legítimas dos trabalhadores.

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