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Termo de referência: trabalho infantil

Este documento visa orientar os pesquisadores do Observatório Social sobre fontes de dados, legislação e tratados relativos ao tema.


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ER11 - Reportagem - Indústria moveleira   Versão para Impressão  Enviar por e-mail 
18/12/2006
Página 1 de 10
[menção honrosa no 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos - outubro de 2007]





Por Dauro Veras, com fotos de Sérgio Vignes e arte de Frank Maia

O Alto Vale do Rio Negro, no Planalto Norte de Santa Catarina, é o maior pólo exportador de móveis do Brasil. Essa história de lances épicos começou em 1873, quando 70 famílias alemãs, polonesas, austríacas, tchecas e brasileiras subiram a Serra do Mar em mulas e passaram a trabalhar a madeira.

São Bento do Sul (75 mil habitantes), Rio Negrinho (45 mil) e Campo Alegre (13 mil) abrigam 650 empresas da cadeia produtiva de madeira e móveis, das quais 450 moveleiras. Juntas, movimentam metade da economia local e empregam 15 mil pessoas. São Bento do Sul está entre os cem municípios brasileiros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M).

Por trás desse êxito oculta-se o alto custo humano cobrado pela atividade. A indústria de móveis, somada à de madeira, é a campeã em acidentes de trabalho que provocam incapacidade permanente em Santa Catarina. A situação, bem pior nos anos 90, ainda preocupa, mas a crise deixou o tema da segurança no trabalho em segundo plano.


As movelarias enfrentam fortes prejuízos com a valorização do câmbio, pois exportam 80% da produção. Em 2005, dois mil postos de trabalho desapareceram e várias empresas fecharam as portas. Em conseqüência, as ações integradas de prevenção têm sido adiadas.

Nesta reportagem, trabalhadores, empresários e representantes do governo opinam sobre as causas de tantos acidentes e propõem soluções. Mutilados em movelarias contam suas tragédias pessoais, na esperança de que sirvam de alerta aos colegas e evitem outras.

Os campeões em acidentes do trabalho em SC

Para a DRT/SC, o setor não está fazendo os investimentos necessários.

As quatro atividades mais perigosas no estado de Santa Catarina, considerando morte e incapacidade permanente, são: 1ª. Desdobramento da madeira; 2ª. Indústria da construção; 3ª. Indústria moveleira e 4ª. Transporte rodoviário de cargas. A indústria de móveis, somada à de madeira, é a campeã em acidentes de trabalho que provocam incapacidade permanente no estado.

Os dados mais recentes, de 2004, mostram que, dos 775 acidentes com incapacidade permanente, 105 (13,6%) ocorreram nas indústrias de madeira e de móveis. Doze das 147 mortes (8%) foram de trabalhadores desses setores. Somente a indústria moveleira apresentou 37 acidentes incapacitantes em 2004.

É o que informa o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Previdência Social. Estudo da Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho) realizado em São Bento do Sul estima que os números oficiais representam somente um quinto das ocorrências de fato.

No caso da construção civil, o maior risco é a queda de altura, que pode ser evitado com equipamentos de proteção coletiva e individual adequados. O caso do transporte rodoviário de cargas envolve fatores como o excesso de jornada dos motoristas e estradas mal conservadas.

Vinte fiscais para 5 mil empresas

"Temos só 20 auditores para fiscalizar 5 mil empresas por ano e precisaríamos de pelo menos 75", diz o chefe da fiscalização da DRT/SC, Roberto Cláudio Lodetti. "Fiscalização deveria ter caráter não só punitivo, como também educativo". Atualmente o auditor leva até um ano para voltar à mesma empresa, em vez de três a quatro meses como seria ideal. Um concurso abrirá 200 vagas no país para 2006 e 2007. Santa Catarina deve receber 12 vagas.

O grande problema das indústrias moveleira e madeireira é a falta de investimentos na proteção adequada de máquinas. Segundo Lodetti, a legislação que proíbe a venda de máquinas sem equipamentos de proteção vem sendo descumprida como forma de baratear os custos. Para ele, não se justifica o argumento da dificuldade de importação, pois já existem máquinas nacionais seguras.

Qualificação é outro ponto crítico. A maior parte dos funcionários é treinada por profissionais mais antigos. Muitos acidentes ocorrem quando o trabalhador é inexperiente, mas também quando é extremamente experiente – por excesso de confiança. "A quantidade de profissionais formados é insuficiente para atender o mercado e poucas empresas investem em qualificação", constata.



 

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