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ER11 - Reportagem - Indústria moveleira
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18/12/2006
Página 2 de 10 Pressão por produtividade
Três dos 24 dirigentes do Sindicato tiveram dedos mutilados no trabalho
Mutilações são um tema recorrente no Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Siticom, filiado à CUT). Dos 24 diretores, três perderam dedos fabricando móveis. Na categoria é difícil encontrar quem não conheça alguém mutilado. Para os trabalhadores a prevenção de acidentes continua em segundo plano na agenda patronal, mais focada em valorização do câmbio, carga tributária e competição externa.
"A pressão por produtividade é uma das principais causas dos acidentes", diz o presidente do Sindicato, Airton Edson Martins de Anhaia. "Os empresários citam a concorrência desleal da China como argumento para pressionar por mais produção, por aumento de jornada e terceirizações, e isso leva à fadiga". Ele conta que todas as Comunicações por Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no hospital da cidade atestam "ato inseguro" e nenhuma diz "condição insegura".
Reivindicações
Até 1994, predominava uma situação precária. Naquele ano o Siticom entrou com ação coletiva na Justiça, exigindo melhores condições de trabalho. Desde então, conta Airton, reduziram-se as ocorrências graves, mas o número de acidentes continua elevado.
O Sindicato quer que as empresas combatam a sub-notificação, adotem máquinas seguras e revisem o papel das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas). "Somos abertos ao diálogo, mas estamos perdendo a paciência com a falta de ação", diz o sindicalista.
Sem indenização
Outra reclamação é a falta de apoio psicológico para a reintegração dos acidentados. "Quando ocorre um acidente, as empresas costumam pagar o seguro coletivo convencionado, mas a indenização por perdas e danos só é obtida com ações na Justiça, que se arrastam por anos", conta. "Muitos trabalhadores desistem de reclamar seus direitos por medo de perder o emprego".
As Lesões por Esforços Repetitivos e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) também são um problema sério na atividade. "A maioria dos responsáveis por Recursos Humanos nas empresas levam na brincadeira, dizem que é LERdeza" comenta o sindicalista Ingo Petersen. "E a maioria dos moveleiros prefere trabalhar com dor a reclamar".
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