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ER11 - Reportagem - Indústria moveleira   Versão para Impressão  Enviar por e-mail 
18/12/2006
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Crise adia ações de prevenção

Em outubro de 2005 foi montada uma comissão para estudar os acidentes de trabalho nas movelarias do Alto Vale do Rio Negro e adotar ações de prevenção. Formada pelos sindicatos patronal e de trabalhadores, pela Universidade de Joinville (Univille), Sesi, Senai e Fundacentro, a comissão adiou seus trabalhos a pedido da bancada patronal.

O atraso é atribuído pelo empresariado ao momento econômico desfavorável, que levou a indústria moveleira a colocar a sobrevivência como prioridade. Os dirigentes moveleiros se queixam do fortalecimento do real frente ao dólar, golpe duro para um setor que exporta 80% da produção.

Entre janeiro de 2005 e janeiro de 2006 houve mais de 2 mil demissões e queda de 16,5% nas horas trabalhadas, segundo o Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Sindusmobil). Em um ano o número de empregos formais no pólo moveleiro do município caiu de 9 mil para 7 mil.

Estudo setorial

Um estudo realizado pelo pesquisador Adelino Denk para os sindicatos patronais quantifica o momento difícil pelo qual passa o setor. A pesquisa abrange 67% das empresas do Alto Vale do Rio Negro, maior pólo exportador de móveis do Brasil e terceiro exportador de Santa Catarina.

Os dados indicam prejuízo acumulado de R$ 51,7 milhões, 4,6% sobre o faturamento em 2005. O prejuízo contabilizado é de R$ 32,1 milhões, equivalentes a 2,9% do faturamento do setor, quando descontados os lucros de R$ 19,5 milhões. Os créditos tributários acumulados somam R$ 102 milhões, 9,1% do faturamento.

Entre 2001 e 2006, prossegue o estudo, a inflação acumulada foi de 71%, enquanto o custo da mão-de-obra subiu 63% e o preço da madeira superou os 120%. No mesmo período o dólar caiu 8%. Energia elétrica e diesel também ficaram muito acima da inflação do período.

Reivindicações

No dia 11 de maio de 2006 os dirigentes moveleiros pediram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, alívio no impacto negativo do câmbio. O setor acredita que o dólar entre R$ 2,40 e R$ 2,60 seria adequado.

A resposta do governo foi a mesma dada aos setores automotivo e calçadista: a política cambial será mantida. Mantega prevê que a queda da taxa Selic no Brasil – associada à elevação dos juros nos Estados Unidos – fará com que o câmbio se torne mais competitivo.

Os empresários também pediram agilidade na compensação de créditos tributários aos quais as empresas têm direito. Ele prometeu pedir à Receita Federal que agilize a análise dos pedidos.



 

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