C&A
IOS realiza pesquisa comportamento social e trabalhista da rede C&A.
Saiba mais
|
|
| Boletim IOS |
Para receber os boletins informativos do IOS, envie um e-mail para imprensa@os.org.br informando seu interesse.
|
|
|
|
|
ER11 - Reportagem - Indústria moveleira
|
|
|
|
|
|
|
|
18/12/2006
Página 6 de 10 Os mutilados
Trabalhadores falam sobre o trauma de suas vidas
Osovsky
Quando o assunto é acidente em movelarias, a família Osovsky tem muito a contar. Valdir, o pai, perdeu três dedos e parte dos movimentos da mão esquerda. Seu filho Vilmar, dirigente sindical, teve o nervo do polegar esquerdo lesado por um corte na lixadeira. O outro filho, Vilson, perdeu os movimentos do polegar direito na multisserra. Um tio perdeu dois dedos.
Seis de outubro de 1999, 11h10. Valdir trabalhava em uma indústria de móveis havia 21 anos como operador de máquinas. Tentou abrir um pedaço de madeira com a mão na serra circular. A peça trancou e a lâmina decepou seu polegar. Outros dois dedos foram esmagados. Ele sangrou duas horas até receber socorro médico.
"Foi excesso de confiança, falha minha e da firma", reconhece. "Trabalhei tantos anos sem proteção e um dia aconteceu. Depois disso fizeram um levantamento dos problemas e melhoraram a segurança". A empresa não o indenizou. Um dos donos era seu primo e, como Valdir admite parte da responsabilidade, decidiu não buscar seus direitos.
Martins
Antônio Alves Martins, 45 anos, também lembra com precisão o momento em que sua vida mudou: às 20h15 de 13 de fevereiro de 2001, ele perdeu quatro dedos da mão esquerda enquanto fazia a moldura de um espelho numa fresa da empresa Intercontinental, maior exportadora de móveis do Brasil:
"Senti o sangue jorrando, vi nervos e pele. Então desliguei a máquina, levantei a mão e pedi ajuda. Os colegas enrolaram a mão numa toalha e me levaram ao hospital. Fiquei brabo comigo mesmo, me lamentava preocupado com o sustento da minha família. Depois de três dias internado, tive uma recuperação rápida. Pensei comigo: 'Aconteceu, paciência, tenho que levantar a cabeça e tocar pra frente'. Recebi a indenização e agora sou dono de um mercadinho".
Ele conta que a Cipa atribuiu as causas em parte a um erro humano, em parte a um erro de ferramentaria – as lâminas foram montadas e encaixadas de maneira indevida. Antônio acha que o acidente poderia ter sido evitado se não houvesse tanta pressão por produtividade: "Os patrões estavam na fábrica naquela noite e foi uma correria, eles queriam aqueles móveis prontos...".
Wactavski
No dia 27 de maio de 2005, Almir Wactavski, hoje com 29 anos, trabalhava na Intercontinental. Às 16h30 a máquina apresentou um problema e ele foi verificar, mas não desligou o equipamento porque "o pessoal estava com pressa". Um segundo de distração bastou: "O auxiliar me chamou, virei para falar com ele e a máquina puxou minha mão". Almir perdeu quatro dedos da mão direita.
"Se a máquina tivesse proteção isso não tinha acontecido", diz. "Fazia três meses que eu pedia isso, mas eles diziam que não podiam parar o serviço. Na mesma noite do meu acidente colocaram proteção em todas as máquinas". Almir passou três meses em desespero, depois superou o trauma com apoio da família e do sindicato. Hoje vive com uma pensão do INSS equivalente a 70% do salário que recebia, de R$ 580,00. Entrou com ação na Justiça pedindo indenização.
Três meses antes – 19 de fevereiro de 2005 às 17h20 – seu irmão Marcelo Wactavski, hoje com 23 anos, trabalhava como prototipista na Embramóvel quando perdeu dois dedos da mão esquerda. Deprimido, pensou em se matar, mas foi dissuadido pelo irmão. "Eu estava no hospital dando conselhos a ele e pouco tempo depois fiquei internado no mesmo quarto", lembra Almir. "Recebi R$ 2 mil pelos dois dedos", recorda Marcelo, que atribui o acidente à falta de proteção na máquina.
|
|
|
|
Devastation Inc.
 To download the English version of the report Devastation Inc., click here
|
|
|