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ER11 - Reportagem - Indústria moveleira
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18/12/2006
Página 8 de 10 "É preciso ensinar a prevenção na escola"
Médico defende mais fiscalização e mais orientação
O médico cirurgião Eduardo Moraes, especializado em mãos, atende quase todos os casos de acidentes graves em São Bento do Sul. De cada dez pacientes seus, quatro se feriram em atividades profissionais. Amputações, lesões de tendão e tentativas de reimplante de mãos e dedos – em alguns casos, bem sucedidas – fazem parte de seu cotidiano. Para ele, se a lei fosse aplicada com rigor, 50% das empresas do município teriam de fechar as portas por falta de segurança.
"Quando eu cheguei aqui há 16 anos, a situação era indecente, era uma batalha campal", recorda. Moraes atendia de 40 a 50 pacientes graves por dia; hoje são seis a sete, o que ele considera um número ainda elevado para uma população de 75 mil habitantes. "Havia muita fabriqueta de fundo de quintal e menores de 18 anos sem vínculo empregatício", conta. "Depois a pressão dos compradores europeus por maior qualidade de vida para os trabalhadores melhorou a situação".
O médico ressalta que, embora os acidentes tenham sido reduzidos nas grandes empresas, ainda ocorrem por causa da pressão por produtividade e pelo mau preparo dos trabalhadores. Ele defende não só o aumento na fiscalização, como também na orientação, como parte de uma política nacional: "Precisamos ensinar a prevenção de acidentes domésticos, de trânsito e de trabalho já na escola, com exemplos práticos, junto com a prevenção ao alcoolismo e às drogas".
Moraes diz esperar com ansiedade a implantação do Projeto de Saúde do Trabalhador em São Bento do Sul. Outras duas propostas do médico: que os acidentes de trabalho sejam tratados em separado dos demais, para facilitar o exame das causas e planejar melhor as ações; e a criação de uma estrutura independente, privada, para atacar o problema.
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