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Santander defende conselheiro que financia desmatamento   Versão para Impressão  Enviar por e-mail 
24/06/2009
Demorvan Tomedi vende madeira comprada de empresas ligadas ao desmatamento ilegal da Amazônia. Banco diz que tem "relação de confiança" com o empresário.


Image A Pampa Exportações, cujo presidente compõe conselho de sustentabilidade do Banco Real, controlado pelo Santander, foi apontada pela revista do Observatório Social como exportadora de madeira amazônica obtida ilegalmente e "esquentada" em esquemas de corrupção que envolvem fiscais da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Pará (Sema).

Em nota oficial enviada ao Observatório Social nesta terça-feira, 23, o Banco Santander defendeu Tomedi: "O sr. Demorvan Tomedi explicou ao banco que as informações oficiais sobre o fornecedor eram coerentes com os princípios da empresa e não levantavam suspeitas".


A reportagem apurou que a Pampa Exportações tem entre seus fornecedores empresas sistematicamente multadas pelo Ibama e empresas que não têm autorização para funcionar. Também constam na lista dos provedores de madeira empresas que sequer possuem cadastro nos órgãos de fiscalização e regulamentação do estado. A reportagem fotografou lotes de madeira irregular destinados à Pampa Exportações no pátio da Rio Pardo Madeiras, empresa inexistente no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). O Santander não se pronunciou sobre esses episódios, apenas disse que a reportagem é importante para "estimular o debate na sociedade brasileira sobre a necessidade de garantir uma evolução nas práticas de extração de madeira sustentável na Amazônia".

O Instituto Observatório Social, por outro lado, acredita que debater o problema já não é mais suficiente e que o momento agora é o de realizar ações efetivas para coibir práticas predatórias, como as comprovadas pela reportagem e que envolvem a empresa Pampa Exportações. O IOS entende que, ao apoiar o conselheiro flagrado em práticas predatórias, o Santander avaliza as atividades realizadas pela Pampa Exportações - empresa que, inclusive, já esteve na lista da Secretaria Estadual de Meio Ambiente entre as empresas proibidas de comercializar.

Para acessar a nota do Banco Real na íntegra, clique aqui.

Em defesa do setor madeireiro

Também em nota enviada ao IOS, a Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira (ANPM) defendeu a descriminalização das empresas envolvidas nas denúncias. Segundo a associação, "não é justo o setor como um todo ser rotulado como destruidor de florestas".

Segundo a ANPM, "existe na Amazônia um grande problema que é a dificuldade na aprovação de planos de manejo florestais sustentáveis, junto aos órgãos ambientais, sendo um dos principais fatores que acaba contribuindo para o comércio ilegal de madeiras". Ainda de acordo com a nota, as empresas compradoras de madeira não podem ser responsabilizadas por qualquer ato ilegal, uma vez que as "empresas fornecedoras estejam devidamente regularizadas, cadastradas e operando de forma legal junto aos órgãos ambientais competentes". "Isto acontece em todos os setores produtivos e não apenas de madeiras", reforça a ANPM.

Para acessar a nota da ANPM na íntegra, clique aqui.

Image Para saber das demais repercussões causadas pela denúncia feita na última edição de Observatório Social Em Revista, clique aqui.

Para acessar a versão virtual ou solicitar a versão impressa da publicação, clique aqui.

 

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