Trabalhadores são os mais prejudicados com o escândalo da Carne Fraca

Comunicação IOS

Além de afetar um mercado que movimenta bilhões de reais e gera milhões de empregos no país, o escândalo envolvendo empresas do setor de carne ligadas aos grupos JBS e BRF atingirá diretamente os trabalhadores dessa área. O presidente do Instituto Observatório Social (IOS) e da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação Contac/CUT, Siderlei de Oliveira, alerta para a necessidade de cautela  com relação à repercussão do caso pela imprensa e polícia federal para não generalizar a ideia de que toda a produção de carne brasileira tem problemas. “A denúncia sobre o papelão, por exemplo, que está sob investigação e aconteceu em uma empresa pequena do Paraná não significa que todas as empresas fazem isso”, diz Oliveira.

A operação Carne Fraca deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, 17, é fruto de uma denúncia encaminhada à Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) há cerca de dois anos por um fiscal do Paraná, e que  cita envolvimento de políticos do PP e o PMDB.

O dirigente lembra ainda que o país é o maior exportador de carne bovina do mundo e o segundo de frango com uma reputação internacional construída às custas do trabalho de muitas famílias que lutam para garantir a qualidade do seu trabalho.  “Os nossos trabalhadores estão preparados, inclusive com o apoio dos sindicatos, para fiscalizar os produtos dentro das fábricas. A questão é a fiscalização feita fora sob a responsabilidade do governo federal”, afirma.

Oliveira ressalta a falta de fiscalização nos locais onde os produtos são armazenados e vendidos, e que as investigações devem continuar para a elucidação de todos os crimes praticados.  “Evidentemente que não podemos ser coniventes com as práticas criminosas dessas empresas. É preciso investigar e punir os responsáveis. Mas não podemos penalizar todo o setor e seus trabalhadores, colocar em risco seus empregos e nem permitir a retaliação dos produtos brasileiros ”, conclui.

Corporações do agronegócio

O escândalo trouxe à tona também a fragilidade do controle das corporações pelo Estado. Ambos os grupos já foram alvo de denúncias do Ministério do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e de sindicatos envolvendo crimes de violação de direitos dos trabalhadores como trabalho análogo à escravidão e infantil, terceirização sem limites, trabalho degradante, entre outros. Denúncias por crimes ambientais também fazem parte do histórico das empresas.  

Na lista com mais de 300 mandatos judiciais expedidos pela PF na operação Carne Fraca também estão nomes de diversos empresários do agronegócio, um mercado responsável por grandes impactos socioambientais, e cujo avanço está relacionado a grandes perdas de áreas do Cerrado e da Amazônia brasileira.

“Por tudo isso é que temos que fiscalizar. O Brasil é um país que não fiscaliza nada. Hoje existe uma falta de fiscais de trabalho, por exemplo,  e  se depender do governo golpista de Temer a situação só tende a piorar. Precisamos lembrar ainda dos interesses internacionais no mercado de carne brasileiro”, finaliza Oliveira.   

Crédito da Foto: 
MPT/RN
Data e hora: 
20/03/2017 16:30 2017
Data: 
20/03/2017 2017